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Como ser un bom praticante de medicina chinesa… segundo Sun Simiao

Olá a todos,

Encontrei este artigo que tinha escrito algum tempo atrás.

Sun Simiao (dinastia Tang), conhecido na Medicina Chinesa como o “Imperador dos Medicamentos”, explica no seu livro “Prescrições Importantes [Valiosas Como] Mil Peças de Ouro para Emergências” (Bei ji qian jin yao fang) do ano 652 A.D. o que é preciso para ser um bom médico na medicina chinesa.

A sua visão reflecte a necessidade da compreensão profunda da natureza e do ser humano para poder exercer a medicina sem obstáculos.

Espero que desfrutem…

Ah! E nada de deprimir-se depois de ler isto, ok? 😉

1º. Discussão de como deve Agir um Grande Médico no Estudo e na Prática

Todo aquele que deseja ser um grande médico deverá estar familiarizado com [os textos] “Perguntas Elementares“, “Jiǎ Yǐ“, o “Cânone de Acupunctura do Imperador Amarelo” e o “Fluxo e Concentração do Salão Luminoso“.

[Também] deverá estar familiarizado com as teorias] dos 12 vasos dos canais; das 3 regiões e os 9 indicadores; dos 5 órgãos armazéns e os 6 órgãos palácios; do externo e o interno; das cavidades e ter experiência nas raizes e ervas medicinais e em todas as secções das prescrições dos Cânones de Zhang Zhongjing, Wang Shuhe, Ruan Henan, Fan Dongyang, Zhang Miao, Jin Shao, etc.

Também deverá ser hábil na compreensão da fortuna e o destino segundo yin e yáng; nas várias escolas dos métodos de [interpretação] das aparências; nos 5 símbolos das [carapaças] queimadas de tartarugas; nos 6 Ren [do texto] “Zhou yi“.

Deverá ser proficiente desta forma para conseguir ser um grande médico. Se não for assim, será como se carecesse de olhos ou vagueasse na noite e ao agir causará a queda e a morte.

A seguir, deverá estudar com grande atenção estas prescrições, contemplando e ponderando os seus maravilhosos princípios. Só assim poderá falar do caminho da medicina.

Porquê deverá também ler todo tipo de livros?

Porque se não lê os 5 Cânones desconhecerá que existe o caminho da benevolência e da justiça.

Se não lê as 3 Histórias, desconhecerá os assuntos dos passado e da actualidade.

Se não lê os diferentes Mestres, ao analisar os assuntos não poderá compreendê-los silenciosamente.

Se não lê o “Cânone Interior“, desconhecerá a felicidade da virtude da compaixão.

Se não lê a “Zhuang” e a “Lao” será incapaz de dominar e compreender genuinamente os ciclos, ficando restringido pela fortuna e pelo infortúnio no caminho da vida.

Deverá também explorar as subtilezas das pausas e regências dos 5 movimentos e das 7 luminosidades da astronomia.

Se conseguir estudar isto tudo, então o caminho na medicina carecerá de obstáculos e então será perfeito e virtuoso“.

Vale a pena referir que Sun Simiao, também é referido por alguns ocidentais como o “Hipócrates da Medicina Chinesa”, devido ao seu impecável caracter moral e ético.

Caros amigos, vamos continuar a caminhada do estudo que ainda falta muito para chegar lá!

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O Capítulo Mais Importante do Livro Mais Importante de Medicina Chinesa?

O “Cânone Interno do Imperador Amarelo” (黃帝內經 Huáng dì nèi jīng) nunca deixa de impressionar-nos.

O texto, com aproximadamente 2500 anos, está dividido em duas partes: “As Perguntas Elementares” e “O Eixo do Espírito“, cada uma destas partes possui 81 capítulos. O estilo de escrita deste livro segue a forma tradicional de pergunta e resposta.

O “Cânone Interno do Imperador Amarelo” é considerado o texto mais importante da Medicina Chinesa, e um rico contentor dos princípios da Medicina Chinesa. Durante milénios foi o pilar central do estudo desta disciplina e ainda hoje é um texto de estudo obrigatório nas universidades de Medicina Chinesa na China.

Ao começar a leitura da secção “As Perguntas Elementares”, somos confrontados com o primeiro capítulo chamado “Discussão do Céu e do Genuíno na Antiguidade Remota” (上古天真論 Shàng gǔ tiān zhēn lùn), que também podemos traduzir como “Discussão do Genuíno e da Natureza na Antiguidade Remota”.

O texto começa com uma pergunta do Imperador Amarelo. Uma pergunta tão atual que facilmente poderia ser feita hoje a um especialista em saúde:

“ [O Imperador] perguntou ao Mestre Celestial: ouvi que na antiguidade remota as primaveras e os outonos das pessoas ultrapassavam os cem anos, sem declínio nas suas atividades. Na atualidade as pessoas declinam em todas as suas atividades na metade dos cem anos. A geração atual é diferente? Ou é uma falta na conduta das pessoas?”

O sábio Mestre Daoísta (Taoísta) Qí Bó entrega uma resposta que resume os princípios para alcançar a longevidade, mas também explica a razão do declínio prematuro nas pessoas:

“Qí Bó respondeu: as pessoas da antiguidade remota, conheciam o Caminho (Dào), os princípios de yin e yáng e estavam em harmonia com as artes dos números. Comiam e bebiam com restrições. Eram regulares nas suas vidas diárias. Não trabalhavam absurdamente até o esgotamento, por esta razão podiam [manter] os corpos e os espíritos completos, usando totalmente os seus anos [entregues pelo] céu, estimando-os em mais de cem.

As pessoas da atualidade não são assim. [Para eles] o álcool é como xarope. O absurdo é o regular e entram nas suas recâmaras bêbados, esgotando a suas essências pelo desejo, consumindo e dispersando assim o [qì] genuíno. Desconhecem como manter-se plenos e não guiam os seus espíritos oportunamente, satisfazem rapidamente [os desejos] das suas mentes, contrariando uma vida feliz. As suas vidas diárias carecem de regularidade, por esta razão declinam na metade dos cem anos.

Os ensinamentos dos sábios da antiguidade remota, sempre referiram evitar oportunamente o vazio perverso e o vento pernicioso, e a acalmar placidamente no vazio, para que o qì genuíno seguindo [este estado] guardasse no interior a essência e o espírito. Como [poderão] chegar as doenças assim?

Se a mente se mantém desocupada e com poucos desejos, o coração estará em paz e sem temores. Se há trabalho físico, mas sem esgotamento, o qì seguirá em concordância e cada um dos desejos que se seguem, poderão ser alcançados. Por esta razão estar-se-á satisfeito com os alimentos, não se importará com as suas roupas e contentar-se-á com o simples, sem se impressionar com as altas ou baixas aparências [sociais] e por conseguinte as pessoas chamar-lhe-ão simples (natural). Não serão capazes de esgotar os seus olhos com vícios e desejos, e a obscenidade perversa não poderá perturbar as suas mentes. O estúpido e o sábio, o virtuoso e o não virtuoso não temerão nada, devido a estarem unidos no Caminho (Dào). Por conseguinte a sua idade poderá contar-se em cem anos sem declínio nas suas atividades e as suas virtudes serão completas e sem perigos.”

O texto continua, mas não me canso de ler e reler esta parte, nem de surpreender-me de como a humanidade, com os seus temores e desejos, mudou tão pouco em mais de vinte séculos… nem parece que foi escrito há mais de 2000 anos!

Traduzi-o e quis partilhar convosco.

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