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A profundidade oculta das cinco fases (5 elementos)

Olá,

Estava a preparar um resumo simples da teoria dos cinco movimentos (wu xing 五行) para os meus estudantes de Astrologia Chinesa Clássica Ba Zi.

O Ba Zi é o estudo dos princípios do destino (ming li), enraizando-se fortemente no fator tempo. Devido a isto decidi referir-me aos movimentos ou elementos, como “fases”. Lembrando o seu carácter cíclico dentro dum processo determinado.

Embora o tópico da discussão seja o método Ba Zi (8 caracteres), senti que partilhar esta pequena parte da discussão poderá ser de algum interesse para os estudantes das diferentes disciplinas chinesas que utilizam o conceito de cinco movimentos, fases ou elementos.

Embora os nomes das fases possam ser discutidos, e eu próprio utilizo outros nomes, mantenho neste artigo a forma mais popular de denomina-las (madeira, fogo, terra, metal e água).

As 5 Fases – interações 1 de 3

Existem diferentes formas de interação entre as 5 fases.

Algumas interações são suaves e com um fluxo natural (shun 順), como por exemplo o fluir das estações. Outras interações são mais agressivas e seguem um movimento oposto ( 逆).

O movimento natural ou concordante (shun), permite que exista uma transformação suave entre as diferentes etapas dum processo, promovendo o crescimento das 5 fases.

Este movimento concordante recebe o nome de “geração mútua das 5 fases” (wu xing xiang sheng 五行相生) ou “mãe – filho”, onde a fase geradora é a mãe (mu 母) e a fase gerada é o filho (zi 子).

A sequência cíclica de geração é: madeira gera fogo > fogo gera terra > terra gera metal > metal gera água > água gera madeira.

Ou seja: madeira > fogo > terra > metal > água > madeira…

wuxing

No processo de transformação em que uma fase gera a outra fase, a fase geradora transmite gradualmente o seu qì à fase gerada. Na transmissão, a fase geradora “perde” (ou transforma) qì.

Por exemplo:

O qì da terra (mãe) gera o qì do metal (filho). Este processo transmite (drena) o qì da terra para o metal. O processo “diminuirá” o qì da terra. Esta diminuição é normal e reflete o movimento de crescimento e decréscimo de yin e yang.

Se o qì da terra for robusto na carta de Ba Zi, então gerar metal será benéfico, permitindo que a terra possa dar nascimento harmoniosamente a um novo tipo de qì, promovendo o movimento cíclico.

A mãe aumenta o qì do filho. Por exemplo:

Um ano com qì de metal (Geng 庚 – Xin 辛) fortalecerá o qì da água (Ren 壬 – Gui 癸) e um mês com qì de madeira (Jia 甲 – Yi 乙) fortalecerá o qì do fogo (Bing 丙 – Ding 丁).

Por outra parte, a filho drenará o qì da mãe, ou seja:

Um ano com qì de metal (Geng 庚 – Xin 辛) drenará o qì da terra (Wu 戊 – Ji 己) e um mês com de madeira (Jia 甲 – Yi 乙) drenará o qì da água (Ren 壬 – Gui 癸).

Se a geração é benéfica ou não dependerá da força das fases geradas o geradoras.

O texto “Yuan Hai Zi Ping”, um dos textos mais importantes da astrologia chinesa clássica, indica a condição em que a mãe demasiado forte prejudica o filho:

火賴木生              木多火烈

木賴水生              水多木漂

O fogo depende da geração da madeira. Se a madeira é demasiada, então extinguirá o fogo.

A madeira depende da geração da água. Se a água é demasiada, então a madeira flutuará.

Outra passagem do texto, refere a situação em que o filho demasiado forte prejudica a mãe:

水能生木              木多水縮

木能生火              火多木焚

A água pode gerar a madeira. Se a madeira for demasiada, a água diminuirá

A madeira pode gerar o fogo. Se o fogo for demasiado a madeira arderá

Finalmente o mesmo texto indica a condição em que a mãe forte, se beneficia com a geração do filho:

強水得木              方泄其氣

強木得火              方化其頑

Quando a água forte obtém madeira, pode drenar o seu qì

Quando a madeira forte obtém fogo, pode transformar a sua rigidez

Embora os cinco movimentos possuam formas de auto-regulação (discutirei depois esta temática), como as interações de “restrição e transformação” (zhi hua 制花) e “supremacia e retaliação ou recuperação” (sheng fu 勝復), não devemos aplicar direta e rigidamente as leis de geração e de controlo, devendo sempre avaliar cada condição tendo em mente a procura do equilíbrio.

Os cinco movimentos, são simples em aparência, mas não devemos esquecer que cada fase divide-se em dois e posteriormente em 12 formas diferentes.

Na medicina chinesa as 12 variações das cinco fases aprecia-se nas cavidade (pontos) shu, no Feng Shui apreciasse em cada método aplicado, e impregna cada disciplina tradicional chinesa, quando estudada em profundidade… Lá está outra parte da beleza do sistema.

Até breve!

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A Medicina Chinesa e as Três Forças 三才 (em palavras simples)

A Medicina Chinesa, é uma das 4 medicinas tradicionais reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde. No entanto o que conhecemos como Medicina Tradicional Chinesa, é um modelo relativamente moderno, sistematizado durante a segunda metade do século XX, a partir de alguns princípios da Medicina Chinesa.

Com uma história de mais de 2500 anos, a Medicina Chinesa tem desenvolvido ao longo dos séculos uma forma única de ver o ser humano, interagindo continuamente com as forças da natureza, denominadas: “(energias) do céu e da terra“.

As forças do céu são fortemente determinadas pelos movimentos cíclicos dos corpos celestes, dos que se derivam a medição do tempo, e as diferencias climáticas.

As forças da terra são determinadas pela influência das caraterísticas do espaço, que influencia a qualidade da terra e da água e as suas manifestações na paisagem e na qualidade da nossa alimentação, entre outros aspetos.

Por conseguinte, a vida humana está submetida às contínuas influências do tempo e do espaço.

Em base a este paradigma, a Medicina Chinesa cria um completo modelo da fisiologia e patologia humana diretamente relacionado com as forças do céu, da terra e da humanidade.

Um modelo que considera o qì do céu como seis qì (六氣 liu qi) expressados em forças climáticas cíclicas. Estes ciclos podem ser regulares (主氣 zhu qì) ou irregulares (客氣 ke qi). Cada um destes qì rege as forças do céu durante dois meses no ano, resultando em forças que afetam de diversas maneiras a nossa fisiologia.

O qì da terra, se expressa como cinco fases cíclicas (五運 wu yun) do qì. Manifestando-se como quatro direções à volta do qì central. Estas cinco manifestações se relacionam com os diferentes fenómenos naturais, criando cinco sistemas que categorizam e abrangem as estações do ano, as direções, cores, sabores, cheiros, etc. associando-se aos 6 qì do céu.

O qì humano, representa as influências da nossa sociedade e cultura. A forma em que nos afetam o relacionamento com os outros e com nos próprios. Também se inclui nesta parte a constituição física e funcional do indivíduo. Isto tudo pertence ao qì do homem.

Desde a perspetiva da Medicina Chinesa, a compreensão da saúde e da doença só pode ser alcançada integrando estas três grandes influências do céu, da terra e da humanidade.

E é sobe esta visão que a Medicina Chinesa estabelece o conceito de saúde como “o equilíbrio de yin e yang”. A pessoa saudável é chamada de “pessoa equilibrada” (平人 ping ren), sendo alguém capaz de conservar a normalidade das funções vitais, conseguindo adaptar-se as contínuas mudanças internas e externas.

Este conceito gera um completo modelo da fisiologia humana e métodos de cultivo da saúde.

Mas sobe esta mesma perspetiva, também deduz um modelo onde a doença, é a incapacidade de manter o equilíbrio de yin e yang, ou seja a incapacidade de preservar o equilíbrio entre as diferentes funciones vitais e os tecidos orgânicos. A incapacidade de manter o equilíbrio entre o corpo ou a “essência” e o espírito.

Esta visão da origem aos métodos de diagnóstico e prognóstico, aos princípios de geração e transmissão das doenças e as formas de tratamento que visam recuperar a normal interação do individuo com as forças do céu, da terra e da humanidade no exterior. No interior permitem que o fluxo normal das funções orgânicas e estruturais (機 ji) se preserve.