Category Archives: Medicina Chinesa

Todo o referente aos princípios, métodos e prática da Medicina Chinesa

O Terceiro Grande Colateral

Sim, o terceiro grande colateral.

Estamos habituados a ouvir a teoria dos quinze vasos dos colaterais ou redes (絡 Luò).

A literatura refere 12 vasos colaterais associados aos 12 vasos dos canais (經脈 Jīng Mài) que o “Cânone Interno do Imperador Amarelo” refere como “separações” (別 Bié), ou seja ramos que se afastam do próprio canal principal ou regular.

Além disso, são referidos dois vasos colaterais que se separam dos vasos dos canais extraordinários Rèn 任 e   督, são os vasos colaterais Wěi Yì e Cháng Qiáng, respectivamente.

Finalmente o texto indica o “Grande Colateral do Tài Yīn do pé”, chamado Dà Bāo, que à semelhança dos outros colaterais, possui uma patologia própria.

O capítulo 18 do Su Wen, refere-se um segundo grande colateral: “O Grande Colateral do Estômago”, chamado “Xū Lǐ“.

No entanto, o capítulo 10 do Ling Shu, refere mais um grande colateral, completando uma lista de 17 Colaterais principais no corpo.

A continuação, traduzo algumas pequenas excertos do capítulo 10, onde se menciona o “Grande Colateral de Yáng Míng e Shào Yáng da mão“, formando parte da rede venosa dorsal da mão e do antebraço. Este membro da família, menos conhecido, carece duma descrição de doença própria, mas é o fundamento da utilização das cavidades extraordinárias “Os Oito Perversos” (八邪 Bā Xié).

Boa leitura!

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Os 4 Mares da Medicina Chinesa – Parte 2

O texto exemplifica o método de ensino através do método tradicional de ensino de Wen Dui (pergunta-resposta).

Nesta segunda secção, Qí Bó nomeia os 4 mares do ser humano.

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Na secção seguinte, Qí Bó explica as relações dos 4 mares com os diferentes sistemas fisiológicos e teóricos da Medicina Chinesa.

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Finalmente, Qí Bó define concretamente a localização dos diferentes mares e as cavidades de transporte (pontos de acupuntura) associadas a cada um dos quatro mares.

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Continuará! 😀

 

Os 4 Mares da Medicina Chinesa – Parte 1

Um de tantos belos capítulos do Ling Shu Jing 靈樞經, um dos textos fundamentais de Medicina Chinesa, com 2000 anos de história.

Nesta primeira parte, começa a discussão entre o Imperador Amarelo e o Mestre Qí Bó.

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Esta imagem é parte do texto original, e permite-nos ver as características dos textos clássicos chineses: escrita vertical descendente e de direita para esquerda e, obviamente, ausência total de pontuação moderna (pontos e vírgulas).

A continuação, a minha tradução da primeira parte do diálogo:

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A amargura do coração

Navegando na Internet, encontrei o seguinte artigo do site “Jornalciencia.com”:

Descoberta: cientistas ficam espantados ao encontrar receptores de sabor amargo no coração!

Podem ler o artigo completo no seguinte link:

http://www.jornalciencia.com/saude/corpo/4796-descoberta-cientistas-ficam-espantados-ao-encontrar-receptores-de-sabor-amargo-no-coracao.html#.Vk3mzI3GpB5.facebook

Esta informação (se for verídica…) confirma mais uma parte da teoria dos cinco sabores da Medicina Chinesa.

O texto mais importante da Medicina Chinesa, com mais 2300 anos de existência, o “Cânone Interno do Imperador Amarelo” (Huang Di Nei Jing), especificamente nas “Perguntas Elementares” (Su Wen) com 81 capítulos refere:

Capítulo 5 “Grande Discussão das Correspondências e Imagens de Yin e Yang” (陰陽應象大論) do texto Suwen indica:

A direção Sul gera o calor, o calor gera o fogo, o fogo gera o amargo e o amargo gera o coração

「南方生熱熱生火火生苦苦生心」

No capítulo 23 “Proclamação da Compreensão dos Cinco Qì” (宣明五氣)  do texto Su Wen menciona:

Quando os cinco sabores penetram, o ácido entra no fígado, o picante entra nos pulmões, o amargo entra no coração, o salgado entra nos rins e o doce entra no baço. Sendo o que chamamos: as cinco entradas

「五味所入酸入肝辛入肺苦入心鹹入腎甘入脾是謂五入」

Caso Clínico: Doença na Bexiga

Alguns estudantes têm-me pedido para escrever sobre casos clínicos, por isso vou partilhar este caso que reflecte muito bem um patomecanismo comum e repetitivo na clínica (durante a leitura podem fazer o exercício lúdico de tentar averiguar o patomecanismo e o método terapêutico 😉 ).

Este caso aconteceu a meados do ano 2014. Numa doente de 31 anos que tinha dado a luz há 13 meses o seu primeiro filho. Os antecedentes clínicos são os seguintes (relatados por ela):

A primeira infecção urinária (e única comprovada analiticamente) foi durante o primeiro trimestre de gravidez. Com sensação de ardor ao urinar. Foi-me administrado um antibiótico que não fazia mal ao bebé (Monuril, duas saquetas). Não tomei remédios para as dores porque fariam mal ao bebé. A partir dos 5 meses comecei a ter sempre desconforto na bexiga, mas foi sempre atribuído ao facto do bebé ter dado a volta e exercer pressão com a cabeça na bexiga. Chegava a ter até alguma incontinência urinária.

Logo no mês após o parto, começaram as dores na bexiga e a perda de sangue na urina. A dor é sempre forte e incapacitante. Parece que existem pedras quentes na bexiga. Há uma sensação de dor e ardor constante. O abdómen fica inchado quando as dores surgem e doi ao toque.

Fui tratada durante 8 meses como se estivesse a ter infecções urináras repetidas. Mas ao fim de 8 meses a médica reencaminhou-me para urologia, porque quando pediu análise à urina, a análise estava estéril, e só havia presença de sangue. 

O urologista fez uma uretrocistoscopia e a citologia estava normal, sem presença de células tumorais. A uretrocistoscopia só revelou que as paredes da bexiga estão muito inflamadas. Receitou-me cloreto de tróspio para provocar relaxamento das paredes da bexiga permite-me tomar brufen ou semelhante se não aguentar as dores, o que tomo todos os dias de 12 em 12 horas.

O meu sono é curto. Acordo normalmente entre as 5h30 e as 6h30 da manhã, independentemente da hora a que me tenha ido deitar, e a partir daí o sono é muito leve. Muitas vezes só permaneço na cama porque deitada é uma posição que me alivia as dores. 

O apetite durante o dia é pouco. Muitas vezes a primeira refeição que tomo é por voltas das 14h ou 15horas, por necessidade de açúcar e não por fome. Tenho alguma vontade de comer doce e algum salgado, e neste momento o picante não me cai bem. Além de achar que me aumenta as dores, fico muitas vezes com dores de estômago e o abdómen superior distendido e com sensação de ardor. 

A urina quando as dores são muito fortes é muito amarela. De resto, quando os medicamentos estão a dar algum efeito a urina é mais clara. Em qualquer das alturas, a urina tem um cheiro forte característico que não sei bem definir. 

…Tenho normalmente os pés frios e húmidos, e as mãos mais quentes do que o usual e rosetas vermelhas nas bochechas. 

Normalmente gosto de bebidas naturais ou quentes, há já alguns meses que me tem sabido muito bem bebidas frias, seja água, leite ou sumos. 

Tenho-me sentido muito cansada ultimamente… A minha memória está muito má. 

Espero ter conseguido explicar bem ao professor como me sinto e os sintomas que tenho tido. Acha que a fitoterapia que me falou me vai ajudar a ficar bem? Desculpe estar ansiosa, mas há tanto meses com dores já me sinto um pouco no desespero

Após a revisão da doente (na recepção do instituto, devido a que só a consegui ver num intervalo entre as aulas), apreciei edema generalizado, face pálida com rubor zigomático e um pulso profundo  e áspero.

Prescrevi 9 doses da seguinte prescrição para fazer decocção:

Huangqi 12g, Baizhu 8g, Yiyiren 8g, Fuling 8g, Zexie 8g, Huashi 8g, Cheqianzi 8g, Shaoyao 8g, Guizhi 8g, Chishao 8g, Taoren 8g, Gancao 6g.

Após alguns dias recebi a seguinte mensagem:

Já vou no segundo pacote de fitoterapia, vou esta noite preparar o terceiro pacote de fitoterapia.

Neste momento não tenho dor na bexiga, só um ligeiro peso… como se não me deixasse esquecer que tenho uma bexiga! Uma das coisa que tenho reparado é que urino em muito maior quantidade muito mais vezes por dia e o edema tem estado a desaparecer. Também a sensação de peso generalizado que tinha no corpo também está muito melhor (depreendo eu que fosse do edema). O cheiro da urina também já é normal e a urina é clara.

Um abraço e mil vezes obrigada por me tratar e eu finalmente estar sem dores! A vida é muito mais bonita assim!

No fim do tratamento a mensagem foi a seguinte:

Há já muito tempo que não tenho qualquer sintoma

🙂

Diagnóstico e Patomecanismo de Medicina Chinesa:

Quando a terra do baço é derrotada, não consegue apoiar a ascensão do qì puro nem controlar a água, pelo que a humidade inunda o inferior.

O fogo ministerial dos 3 aquecedores deve ascender, mas neste caso, sem o apoio da ascensão do baço afunda-se deprimindo-se na bexiga.

A bexiga é a água Ren que precisa de frescura, mas neste caso, contrariamente aquece, afetando a bexiga e a sua transformação do qì.

A falha na ascensão afeta a ascensão do qì do fígado, pelo que o fígado se deprime e não floresce saudavelmente no superior. Nesta condição o fogo ministerial da vesícula biliar se inverte aquecendo o superior também.

Há calor acima e afora (órgãos palácio) e frio no interior (baço e rins).

😉

Agradeço vosso feedback, assim todos aprendemos.

Quando tiver tempo, continuarei partilhando mais casos clínicos.

“O Livro Completo de Jing Yue” e as Evidências Superficiais

Caros amigos,

Tenho continuado a revisar os livros que me ajudaram a compreender melhor a Medicina Chinesa e, dentro da lista, outro dos primeiros que li, foi o texto “O Livro Completo de Jǐng Yuè” (Jǐng Yuè Quán Shū). Que obra fantástica!

Cheguei até este livro através do “Cânone Classificado” (Lèi Jīng), outro livro do mesmo autor, que após um trabalho de investigação de 30 anos, organiza e comenta monumentalmente o “Cânone Interior do Imperador Amarelo” (Huáng Dì Nèi Jīng).

O autor é Zhāng Jiè Bīn (1563 – 1640), com a alcunha de respeito de Zhāng Jǐng Yuè. Um dos mestres mais importantes da dinastia Míng, que obteve o título de respeito de “Sábio da Medicina” (Yī Shèng).

Autor de 4 textos médicos, inicialmente segue os princípios da escola de pensamento médico “Yǎng Yīn Pài”, posteriormente aprofunda o seu conhecimento médico e transforma-se num dos maiores representantes da “Escola de Reforçar Aquecendo”. Quem me conhece sabe que costumo utilizar extensamente a moxa, pois uma das fontes das quais obtive muitos métodos de moxabustão, foram os textos do Mestre Zhāng Jǐng Yuè.

Ao pegar no livro, escolhi aleatoriamente uma parte dele para traduzir e o que apareceu foi uma parte do “Artigo das Evidências (1) Superficiais”, pertencente ao começo do Volume I (o texto contém 64 Volumes… o Mestre Zhāng Jǐng Yuè foi um especialista em Yi Jing (I Ching), pelo que só podia ser 64 🙂 ).

Devemos lembrar que a teoria das “Oito Cordas Guias da Rede” (Bā Gāng), constituído pelo frio e o calor, o superficial e o interno, o vazio e a plenitude e yin e yang, embora sendo uma teoria antiga, foi organizada pela primeira vez neste livro (O Livro Completo de Jǐng Yuè).

Espero que desfrutem deste pequeno excerto do artigo.

… Quando o frio perverso visita os canais e colaterais, deverá haver dor no corpo, ou contração e tensão com dor, sendo o qì perverso a desordenar o qì nutritivo, inibindo os vasos sanguíneos.

Quando o frio perverso está na superfície e há cefaleia, então há quatro canais (possivelmente envolvidos). O vaso de Tàiyáng do pé cinge-se pela nuca e a cabeça; o vaso de Yángmíng do pé ascende até ao canto da cabeça (2); o vaso de Shàoyáng ascende por ambos os ângulos e o vaso de Juéyīn do pé ascende reunindo-se no topo da cabeça, podendo todos converter-se em cefaleia. Por este motivo só Tàiyīn e Shàoyīn carecem de evidências de cefaleia.

Quando o frio perverso está na superfície e há muita aversão ao frio, se existe aversão a isto (algum fator), então deverá haver lesão por isto (algum fator). É por isto que na lesão por alimentos há aversão aos alimentos e na lesão por frio há aversão ao frio.

Quando o qì perverso está na superfície, o pulso deverá ser tenso e rápido, sendo o perverso a desordenar o qì nutritivo.

O vaso do canal Tàiyáng começa no interior do olho, ascende ao topo da cabeça e desce pela nuca, e cingindo a coluna circula até à região lombar, por isto quando o perverso está em Tàiyáng, deverá haver aversão ao frio, febre e simultaneamente dor na cabeça e nuca, com rigidez na coluna lombar ou dor nos joelhos.

O vaso do canal Yangmíng começa debaixo do olho, segue pela face e o nariz e circula pelo tórax e o abdómen. Por isto quando o perverso está em Yángmíng, deverá haver febre e ligeira aversão ao frio e simultaneamente dor nos olhos, nariz seco e insónia.

Shàoyáng é o canal metade superficial e metade interno. O seu vaso contorna a orelha anterior e posteriormente e desde o “Poço do Ombro” (3) desde até a região costal. Por isto quando o perverso está em Shàoyáng, deverá haver febre e simultaneamente hipoacusia e dor hipocondria, com [sabor] amargo na boca e vómito, ou alternância de frio e de calor.

Nas anteriores evidências superficiais dos três yáng, só se observam evidências superficiais, pelo que não pode atacar o interior. Ou efunde a superfície, ou resolve ligeiramente, ou dispersa aquecendo, ou dispersa refrescando, ou aquece o centro apoiando-se no interior para dispersar [o perverso] sem dispersar [o genuíno], ou reforça yīn para apoiar o yīn, sendo o aforismo: “evapore e a chuva transformar-lo-á e dispersará”. Que infelicidade! Para o significado existente aqui, as palavras dificilmente chegam. Só o coração do sábio o compreende…

Notas:

(1) O termo “evidências”, em chinês 證 Zhèng, refere-se às evidências da patologia. Ou seja, os sintomas ou sinais. O termo é frequentemente traduzido como “Síndrome” ou “Padrões” na literatura moderna.

(2) “Canto da cabeça” em chinês 頭維 Tóu wéi, também corresponde à cavidade 8 do canal do estômago Yángmíng do pé (E8).

(3) “Poço do Ombro” em chinês 肩井 Jiān jǐng corresponde à cavidade 21 do canal da vesícula biliar Shàoyáng do pé (Vb21).

A Tosse, explicada pelo Médico Chinês Tang Rong Chuan

No ano 2006 encontrei “por acaso” um texto.

Ao começar a leitura fiquei surpreendido pela simplicidade com que explicava a patologia de Medicina Chinesa e consegui identificar alguma terminologia do “Cânone Interior do Imperador Amarelo”, pelo que me entusiasmei e comecei a traduzir com as ferramentas que dispunha naquela altura.

O livro era a “Discussão das Evidências do Sangue” (Xuè Zhèng Lùn) do médico chinês 唐宗海 Táng Zōng Hǎi (1846 – 1897), mais conhecido pela sua alcunha de 唐容川 Táng Róng Chuān.

O termo “evidências”, em chinês 證 Zhèng, refere-se às evidências da patologia. Ou seja, os sintomas ou sinais. O termo é frequentemente traduzido como “Síndrome” ou “Padrões” na literatura moderna.

Táng Róng Chuān foi conhecido como um dos representantes da “Escola de Pensamento de Integração das Medicinas Chinesa e Ocidental” (Zhōng xī yī huì tōng xuè pài) e um prolífico escritor, existindo 8 publicações da sua autoria.

Gosto muito da forma como expressa a Medicina Chinesa e o como lida com os medicamentos tradicionais chineses.

O capítulo que encontrei naquela altura foi: “Tosse com Sangue (Hemoptise)”, do Volume II da obra. O Dr. Táng, discute a tosse dividindo-a em 6 categorias: tosse por plenitude, por vazio, por fleuma, por qì, por vapor dos ossos e por tuberculose.

A seguir, traduzo o começo da discussão geral da “Tosse com Sangue”:

Tosse com Sangue (Hemoptise)

Os pulmões governam o qì e a tosse é uma doença do qì, por isto a tosse com sangue pertence aos pulmões.

O qì dos pulmões, reúne-se no exterior com a pele e o pelo, e abre-se no nariz. Nas evidências (1) exteriores, quando o nariz se obstrui e a pele e os pelos se fecham com firmeza, o seu qì contrariamente, se obstrui no interior, asfixiando a saída no espaço entre a garganta, expressando-se como tosse. Esta é a tosse por causa exterior.

O qì dos pulmões desce, transportando-se até à bexiga, passando ao intestino grosso, onde se comunica e regula os líquidos e humores, governando a restrição e a regularidade (2).

Quando a restrição e a regularidade descem, então o qì flui em concordância e a respiração é calma.

Se a restrição e a regularidade não se movimentam, então o qì inverte-se e há tosse. Esta é a tosse por causa interior.

A tosse por causa exterior, não é mais do que o fecho e a obstrução das aberturas. Quando o qì dos pulmões não consegue alcançar a pele na superfície, resulta numa aceleração no interior do espaço da garganta, convertendo-se em tosse. No próprio corpo dos pulmões, o normal é, que certamente, ainda não tenha recebido a lesão.

Enquanto à tosse por causa interna, deve-se à falha no movimento da restrição e a regularidade.

Os pulmões são de corpo de metal, a sua natureza é ligeira e fresca. Nos pulmões normalmente existem humores-yīn que nutrem com força o seu corpo, causando que as folhas dos pulmões estejam penduradas para baixo, nutrindo também o inferior como a chuva e o orvalho, produzindo a desobstrução da bexiga, regularizando o intestino grosso e conseguindo lubrificar e desinibir o qì dos 5 órgãos armazéns e dos 6 órgãos palácio, sem obstruções nem pausas. Beneficiando a desobstrução e regulação do qì dos pulmões.

Se os humores-yīn dentro dos pulmões forem insuficientes, então o fogo controlá-los-á e castigará, convertendo-se em atrofia pulmonar.

Quando as folhas dos pulmões se queimam, levantam-se impedindo que pendurem para baixo, causando que os humores-yīn não possam gotejar, vertendo-se para o inferior e o qì nos pulmões ascende invertido convertendo-se em tosse. Esta tosse por causa interior, é uma evidência de difícil tratamento.

As duas [condições] anteriores, são as doenças fundamentais dos pulmões e as causas  próprias da tosse…

(1) 證 zhèng = evidências, síndromes, padrões ou sintomas e sinais

(2) O capítulo Capítulo 8 do Su Wen “Discussão do Clássico Secreto da Orquídea Espiritual” refere: “os pulmões são os oficiais do primeiro ministro e conselheiro. Por conseguinte, emitem a ordem e a regulação” (肺者相傅之官治節出焉).